REFLEXÕES SOBRE SEXO, PSICANÁLISE E TANTRA

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Freud, no final do século XIX, revelou que a sexualidade estava na origem das neuroses. Ao estudar inicialmente casos de histeria, verificou a possibilidade de cura pela palavra e criou a psicanálise. Naquele período, a estrutura familiar típica era edípica e patriarcal, cabendo às mulheres pouquíssimas possibilidades de desenvolvimento pessoal e social.

Lacan, na década de 50, releu Freud e, em uma das fases de sua teoria, considerou que a entrada do sujeito na linguagem seria o correspondente simbólico da castração. O que isso significa? Para ele, na medida em que somos seres falantes, perdemos o acesso direto à coisa, ao Real anterior à simbolização, ou seja, conhecemos o nome “mesa”, por exemplo, antes de conhecermos o objeto mesa. O sujeito teria a barreira da linguagem e da cultura que lhes interditaria o acesso direto aos objetos. Há inúmeras consequências dessa hipótese. Dentre elas, a perda da dimensão do instinto. O ser humano não teria instinto como outros animais. Enquanto estes nascem com elevado grau de maturidade física e mental, o ser humano nasce totalmente dependente. Aprendemos a ser. Nada nos é naturalmente dado.

Apesar de “não nascermos sabendo”, dentre as diversas dimensões humanas, há uma que permanece sob a fantasia do saber natural. O sexo. Na cultura ocidental cristã fala-se de sexo o tempo todo e esconde-se o sexo o tempo todo. A dimensão de pecado e culpa ligados ao tema é profunda. Sexo é um assunto temido, tendo conseguido grande avanço ao conquistar o território dos consultórios de psicanálise, como meio de cura das neuroses, dentro de um âmbito privado.

Como não se sabe, é preciso aprender, e a pornografia é a maior fonte de aprendizado sobre sexo em nossa cultura. Frente à impossibilidade de um discurso aberto sobre o tema, resta aos jovens a busca de informação por meio dela. Para os adultos, permanece como fonte de gozo, ideal sexual desvinculado do prazer, em que a mulher ocupa o papel de objeto. A pornografia reforça as ideias negativas sobre o tema. O confirma como tabu.

A repressão é tanta que, para se ter ideia, livros médicos de anatomia não descreviam a estrutura física do clitóris até depois do ano 2000. Esta parte era simplesmente excluída dos livros.

No mundo contemporâneo, observamos mudanças na estrutura familiar, na noção de público e privado, no papel da mulher, nas formas de comunicação pela internet, processos que levam a grandes mudanças subjetivas. O antigo discurso antigo não cabe mais. A estrutura repressiva do ponto de vista sexual não satisfaz às necessidades e aos anseios de boa parte dos sujeitos contemporâneos. Vemos surgirem outras formas de subjetivação, novos sujeitos com novos desejos, novas formas de vida e de relações humanas. As pessoas têm buscado criar formas inéditas de se relacionarem, inclusive sexualmente.

Dentro dessa perspectiva, encontra-se o tantra. Nele, o sexo é entendido e vivido de uma forma bela. A sexualidade é reconhecida como a fonte da vida e o processo de criação de vida é, em si, lindo, estético, poético. Essa abordagem permite a construção de uma nova forma de se relacionar com o próprio corpo, com o prazer e com o outro, a partir de uma releitura contemporânea de vasto conhecimento já existente e ainda pouco difundido.

por Devi Buddhi
Terapeuta e facilitadora de workshops

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