A Dor

A dor é uma instância entre o vazio e a sabedoria.
A dor é o irromper.
Não existe o irromper sem dor.
A dor é a poção mágica que consolida o surgimento do novo.

A dor !
A dor é a sujeira do meu corpo,
a memória dos fatos acontecidos sobre a minha pele.

A dor estimula minhas recordações.
E todas as minhas lembranças estão doloridas.
Lembrar de uma dor não é sentir a dor de novo.
Lembrar de uma dor é reinventá-la com um novo contexto.

Impossível retratar fidedignamente
uma dor ocorrida no passado.

Porque a dor a cada manifestação
traz outra roupagem,
pontos mais fortes,
pontos mais enfraquecidos.

Reinventamos através da lembrança
as dores ocorridas no passado,
como forma de não nos desconectarmos
de nossas etapas de crescimento.

Isto é uma elegia à dor.
Precisamos conhecer melhor a função intrínseca ao aprendizado:
Dolorir.
A dor moral, a dor ética, a dor solitária.
A dor angustiante.
A dor da multidão …
São tantas as dores e formas das dores doerem.

Sempre há um jeito de provarmos as nossas experiências
com o elemento dor.
A dor é indispensável.
A dor é farta. A dor é grande.
A dor é facilmente fertilizável.

Para providenciar a dor,
basta um único segundo sem ela.

Enquanto não sustentarmos os momentos da ausência da dor,
temos o que crescer,
temos o que buscar,
temos o que aprender.

Halu Gamashi,
em “Meditando com a Consciência Suprema”

 

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